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REDS - A luz da consciência

March 26, 2019

No livro “Scrivere con la luce, i colore, gli elementi”, o diretor de fotografia Vittorio Storaro interpreta cada um de seus trabalhos a partir da combinação de luz, cores e elementos.  Storaro não gosta de ser chamado de fotógrafo, mas de autor cinematográfico.  Reivindica para si a coautoria dos filmes em que atua profissionalmente.  Trabalhar com ele, portanto, é um exercício de grandeza, um ato de divisão de tarefas e quebra de vaidades, sobretudo do diretor, o que diz muito sobre aqueles que com ele trabalham, como é o caso de Warren Beatty.  

 

Ao escolher Storaro para coautor cinematográfico em “Reds”, Beatty traçou, já na escolha da equipe, como traria a história do jornalista que melhor narrou os acontecimentos da Revolução de 17 para o cinema.  Além de contá-la por intermédio de um roteiro que eleva o docudrama ao Oscar, com relatos de testemunhas históricas intercalando a dramatização, o cineasta queria transmitir esteticamente o sentimento do início do século XX, marcado pela radicalização das ideologias e pela reavaliação das injustiças causadas pelos tradicionais meios de produção. Seu idealismo democrático transborda numa interpretação libertária do novo mundo, sem as amarras do capital ou do estatismo autoritário.  

 

“Reds” é um filme sobre a descoberta do homem livre, e é assim que Storaro o concebeu. O protagonista é uma árvore cujas folhas são os depoentes que o cercam, e o tronco é a relação poderosa com Louise. “A história”, resume Storaro, nasce de memórias monocromáticas, da cor da Terra, que desabrocham numa miríade de cores, emoções e sentimentos, culminando na luz que unifica os sentidos e a razão, a escuridão e a luz, emoção e intuição, como a maturidade de quem chega ao encontro da autorrealização”. “Reds”, portanto, é a viagem das trevas à luz de um cavaleiro da esperança desiludido com dogmas e apaixonado pela vida. 

 

 

Warren Beatty: Uma Rajada de Charme

De 25 a 31 de março na Cinemateca do MAM

 

29/3 - sexta-feira – 17h
Reds
, de Warren Beatty (EUA, 1981). Com Warren Beatty, Diane Keaton, Edward Herrmann.

Drama/Biografia. Sinopse: O jornalista americano John Reed viaja à Rússia para documentar a Revolução Bolchevique e retorna um revolucionário. Seu fervor pela política de esquerda o leva a Louise Bryant, então casada, que se tornará um ícone feminista e ativista. Em casa, as diferenças entre os ideais de Reed e a realidade causam problemas. Bryant sai com um cínico dramaturgo, e Reed retorna à Rússia, onde sua saúde piora. Indicado a 12 Oscars, incluindo melhor filme, ganhou por melhor diretor (Warren Beatty), atriz coadjuvante (Maureen Stapleton) e fotografia (Vittorio Storaro). Warren Beatty também foi indicado a melhor ator. 195 min. 14 anos. 

 

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