Sgt. Pepper’s lonely hearts club band - Fracasso beatlemaníaco?!


Bee Gees e Peter Frampton

Conhecido por alguns dos mais notáveis musicais dos anos 70, o produtor Robert Stigwood também ajudou a adaptar famosos álbuns de música para os cinemas. Foi assim, por exemplo, com o premiado sucesso de “Tommy” (1975), dirigido pelo conceituado diretor britânico Ken Russel, e “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band” (1978), dirigido pelo cineasta Michael Schultz, proveniente do movimento blaxploitation. Enquanto o primeiro filme usava as músicas do The Who com a presença de integrantes da banda no elenco, o segundo transpunha para a tela um dos maiores sucessos dos Beatles, porém com canções reinterpretadas por outros artistas, como Bee Gees e Peter Frampton – o que talvez explique um pouco melhor seu total fracasso de público e crítica.


Os Beatles já haviam tido a experiência de transformar um álbum em filme com “A hard day’s night” (1964), porém Stigwood estava, de fato, adaptando a peça da Broadway que já feito com outros artistas a partir do álbum “Sgt. Pepper’s lonely hearts club band”, somando canções também de “Abbey road”. A ideia provinha de parcerias anteriores nos cinemas, como “Os embalos de sábado à noite” (1977) e a produção do álbum de “Grease – Nos tempos da brilhantina” (1978) por Barry Gibbs e Peter Frampton pelo selo da RSO Records (também de Stigwood). Talvez a despersonalização de sucessos emblemáticos dos Beatles tenha tirado o prestígio autoral do diretor Schultz que, na época, foi o cineasta afro-americano a receber o maior orçamento para um filme, e cujo currículo incluía sucessos com Richard Pryor e a estreia de Samuel L. Jackson em “Together for days” (1972), relegando, depois disso, a carreira do ótimo cineasta a produções televisivas até hoje.


(Texto publicado na revista da mostra "Nos Embalos de Uma Parceria", realização ACCRJ/Cinemateca do MAM - agosto 2019)


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