A música revolucionária que o cinema abraçou


Em seu ensaio “Ecos da era do jazz”, de 1931, o escritor F. Scott Fitzgerald dizia que era muito cedo para escrever sobre a época e seus desdobramentos. Mas o gênero musical com suas raízes no blues, música negra americana que surgiu na segunda metade do século XIX, estava tão conectado à própria formação do povo pós-Guerra Civil que era inevitável pensar sobre essa transformação. O canto dos escravos nas plantações de algodão saiu do campo e foi para as cidades. Entre o lamento e a fina ironia, o gênero musical de matriz africana ganharia a atenção de outra arte: o cinema.


Se no início era marginalizado, o jazz ganhou os salões intelectuais, e Fitzgerald comemorou os anos 1920 como “uma era de milagres, arte, excessos e sátira”. A improvisação, o swing e o som não linear faziam parte da metamorfose. O mundo vivia as consequências da Primeira Guerra, na Europa, e da Revolução Comunista, na Rússia. O final da década foi impactado pelo Crash da Bolsa e a Grande Depressão Econômica na América. O cinema, que refletia a sociedade em crise, incorporou a música popular. As trilhas sinfônicas passavam a dividir espaço com a música das ruas e dos nightclubs, mais próxima do homem comum. A quebra de padrões e o ritmo sincopado estavam em sintonia com a cinedramaturgia.


A mostra “O Jazz vai para Hollywood” viaja por seis décadas do gênero musical no cinema, retratando personagens do sonho americano, das revoluções musical e de comportamento, do racismo, da luta de classes, da depressão econômica entre guerras, além da antropofagia musical na França, que abriu os salões para degustar e absorver a música negra americana.



O Jazz vai para Hollywood

De 9 a 15 de setembro na Cinemateca do MAM

Curadoria Cinemateca do MAM e ACCRJ

9/9 – segunda-feira – 18h30

Abertura com Hernani Heffner e Ana Rodrigues

O cantor de jazz (The jazz singer), de Alan Crosland (EUA, 1927). Com Al Jolson, May McAvoy, Warner Oland.

Drama/Musical. Sinopse: Jakie Rabinowitz ama jazz e ragtime e pretende se tornar um cantor do gênero. Seu pai, porém, é um corista de igreja e exige que o filho siga a tradição da família. Jakie insiste, mas, descoberto pelo vizinho, é expulso de casa. Uma década depois, mais velho, o cantor seguiu seu sonho e mudou de nome, mas ainda quer desafiar o pai. O longa concorreu ao Oscar de roteiro adaptado e levou a estatueta de prêmio honorário por ser um pioneiro no filme com som que revolucionou a indústria. 88 min. 14 anos.

10/9 – terça-feira – 18h30

A epopeia do jazz (Alexander's ragtime band), de Henry King (EUA, 1938). Com Tyrone Power, Alice Faye, Don Ameche.

Drama/Musical/Romance. Sinopse: Alexander escandaliza a sociedade ao montar uma orquestra de Ragtime, estilo musical popular demais para ser levado a sério. Vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora. 106 min. 14 anos.

11/9 – quarta-feira – 18h30

Sinfonia bárbara (Birth of the blues), de Victor Schertzinger (EUA, 1941). Com Bing Crosby, Mary Martin, Brian Donlevy.

Música. Sinopse: Jeff cresceu perto de Basin Street, em Nova Orleans, tocando clarinete com estivadores. Ele monta uma banda, a Basin Street Hot-Shots, que inclui Memphis, um tocador de trumpete. Eles lutam para conseguir que o jazz seja aceita pela sociedade dos cafés da cidade. Betty Lou se junta à banda como cantora e faz com que Louie mostre a ela como fazer o scat. Memphis e Jeff se apaixonam por Betty Lou. 87 min. 14 anos.

12/9 – quinta-feira – 19h

Cavalgada de melodias (Syncopation), de William Dieterle (EUA, 1942). Com Adolphe Menjou, Jackie Cooper, Bonita Granville.

Comédia/Música. Sinopse: Kit Latimer é uma jovem sonhadora que se mudou de Nova Orleans para Chicago, onde ela conhece e se apaixona por Johnny Schumacher, um músico recém-viúvo. O romance, cheio de ideais musicais, se passa em meio ao jazz e blues, à depressão econômica e ao tenso clima entre duas guerras mundiais. 88 min. 14 anos.

13/9 – sexta-feira – 18h30

O ocaso de uma estrela (Lady sings the blues), de Sidney J. Furie (EUA, 1972). Com Diana Ross, Billy Dee Williams, Richard Pryor.

Biografia/Drama/Romance. Sinopse: Apesar da infância difícil e de ter que trabalhar como faxineira e até mesmo prostituta em um bordel, Billie Holiday nunca desistiu de seu sonho de se tornar uma cantora de jazz. Certo dia, ela consegue um contrato em um clube do Harlem, onde começa a cantar e a encantar as plateias de toda a cidade, demonstrando um talento que ultrapassou todas as tragédias passadas. 144 min. 14 anos.

14/9 - sábado – 16h

Taverna maldita (Pete Kelly’s Blues). De Jack Webb (EUA, 1955). Com Jack Webb, Janet Leigh, Edmond O'Brien, Lee Marvin, Ella Fitzgerald.

Drama/Música. Sinopse: Trompetista e líder de banda é coagido a aceitar a proteção de mafioso, que ainda lhe impõe uma vocalista. Os ânimos se acirram, levando à dissolução do grupo e pondo em risco a vida do líder da banda. 95 min. 14 anos.

14/9 - sábado – 18h

Música e lágrimas (The Glenn Miller story), de Anthony Mann (EUA, 1954). Com James Stewart, June Allyson, Harry Morgan.

Biografia/Drama/Música. Sinopse: A trajetória profissional e pessoal do músico Glenn Miller, um dos maiores nomes da música americana. 115 min. 14 anos.

15/9 - domingo – 16h

Paris vive a noite (Paris blues), de Martin Ritt (EUA, 1961). Com Paul Newman, Joanne Woodward, Sidney Poitier, Louis Armstrong.

Drama/Música/Romance. Sinopse: Apesar de longe de casa, os músicos americanos de jazz Ram e Eddie estão contentes com suas vidas em Paris. Ram sabe que a cidade é o melhor lugar para desenvolver uma reputação musical, e Eddie não sofre com o racismo que o perseguia. No entanto, eles acabam se apaixonando por turistas americanas e agora a dupla terá que decidir se abandona a integridade artística por amor. 98 min. 14 anos.

15/9 - domingo – 18h

Ascensor para o cadafalso (Ascenseur pour l'échafaud), de Louis Malle (França, 1958). Com Jeanne Moreau, Maurice Ronet, Georges Poujouly.

Drama/Thriller. Sinopse: Florence e Julien decidem matar Simon, o marido de Florence. O crime deve parecer suicídio. Como é tarde, o vigia desliga a eletricidade, e Julien fica preso no elevador. Enquanto isso, dois jovens roubam o carro de Julien. 91 min. 14 anos.

Cinemateca do MAM

Ingressos gratuitos

Cinemateca do MAM

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85 - Praia do Flamengo, Rio de Janeiro - RJ, 20021-140

Telefone: (21) 3883-5630



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