June 4, 2020

December 16, 2019

September 25, 2019

Please reload

Posts Recentes

Agora isto pode ser dito

September 12, 2019

Quando foi lançado oficialmente, em agosto 1938, “A epopeia do jazz” foi elogiado pela imprensa especializada. De acordo com o American Film Institute (AFI), o longa acabaria se tornando uma nova tendência, um plot twist para a contação de uma história musical. Surgiam comentários que ressaltavam o filme como sendo fácil de ser explorado, o mais fácil desde “Branca de Neve e os sete anões” (a primeira animação, lançada no ano anterior).

 

Nesse sentido, é interessante observar quão saudavelmente despretensioso é o trabalho do diretor Henry King, que, tendo em mãos um roteiro que perpassava 27 anos, pouco se fixou na construção de verossimilhança: as personagens não carregam traços de envelhecimento físico. Isso, de certa forma, impregna as personalidades dos protagonistas com uma leveza quase palpável. É como se o público pudesse ser confidente de uma história que talvez fosse tola se contada com apego à seriedade.

 

Não que “A epopeia do jazz” seja uma obra carente de sobriedade. Em um momento no qual o mundo estava prestes a iniciar a sua segunda Grande Guerra, ver um jovem seguir o sonho popular em detrimento de uma carreira mais convencional era, por si só, um pequeno movimento revolucionário – ao menos à época; era um pedacinho do cinema que assinalava, para as futuras gerações, uma espécie de pré-nostalgia de um diretor que sabia a força da sua arte (ainda mais a poucos anos de lançar o clássico “A canção de Bernadette”).

 

Que o amor de Alexander e Stella, regado a mais de duas dezenas de canções compostas pelo lendário Irving Berlin, incluindo a original “Now it can be told”, possa ser contado e recontado. E que continue existindo revolução dentro de cada saudável e despretensiosa arte.
 

 (Texto publicado na revista da mostra "O Jazz vai para Hollywood" parceria ACCRJ/Cinemateca do MAM - Setembro de 2019)

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

© 1982 - 2021 Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro