
A Hora do Mal
Por Luciana Costa
Frescor ao gênero em ótima safra
Em 2025, vários filmes de terror foram produzidos com mestria, imprimindo frescor ao gênero sem cair na mesmice. Entre eles, “A hora do mal”, um trabalho de Zach Cregger (“Noites brutais”), que também assina o roteiro. Dividido em três atos, o longa funciona ao manter até o fim da exibição o mistério da trama, explicado em seu desfecho de forma redonda e inovadora sem deixar furos.
A narrativa, que se passa na fictícia cidade de Maybrooke, acompanha o desaparecimento repentino de quase todas as crianças de uma turma escolar, alunos da professora Justine, brilhantemente interpretada por Julia Garner (“Apartamento 7ª”). Câmeras de segurança registram o momento inquietante em que as crianças correm em direção ao vazio e somem simultaneamente, à exceção de Alex (Cary Christopher), o único da turma que não desaparece.
As imagens captadas revelam um detalhe perturbador: todas as crianças se movem de forma idêntica, mantendo o corpo rígido e os braços abertos em forma de V até desaparecerem. A pose remete intencionalmente à famosa foto “A menina do napalm” tirada no Vietnã, em 1972, pelo fotógrafo Huynh Cong Ut.
O mistério parece impossível de ser resolvido até mesmo para o mais atento dos espectadores. Embora contenha algumas cenas consideradas cômicas por boa parte do público, “Weapons” (no original) é uma das grandes joias da temporada, pela estranheza dos fatos, pela atmosfera desconfortável e pelo desfecho surpreendente.
Além do mistério e da tensão, a trama aborda temas como cancelamento e a necessidade de bode expiatório em certas situações. Josh Brolin, o eterno Thanos das sagas “Vingadores” e “Guardiões das galáxias”, exibe excelente performance ao encarnar o antagonista da professora Justine. Outros destaques são a trilha sonora sinistra e a atuação de Benedict Wong, que interpreta Marcus, o bem-intencionado diretor da escola. As cenas mais marcantes de “A hora do mal” já fazem parte da cultura pop.

