
Flow
Por Célio Silva
A beleza (animada) do caos
“Flow” pegou todo mundo de surpresa em 2025. Afinal, o que uma animação vinda de um país sem tradição no gênero, como a Letônia, e produzida com pouquíssimos recursos teria a oferecer a mais do que grandes produções de estúdios consagrados como a Pixar e a DreamWorks? A resposta é: beleza e encantamento para contar muito bem sua história.
A trama de “Flow” é simples. Através dela, o público acompanha a odisseia de um gatinho preto após uma inundação que destrói toda a região em que ele vive. Sem nenhum ser humano à vista, o gato encontra outros animais em seu caminho, como uma matilha de cães, uma ave, uma capivara e um lêmure colecionador de objetos. Juntos, eles se refugiam num barco à deriva e precisam aprender a lidar com suas diferenças para escapar do avanço ameaçador das águas.
Contando apenas com os sons dos animais, sem diálogos, “Flow” conquistou o coração de cinéfilos de todo o mundo pela beleza de suas imagens e pela forma quase poética como a história é desenvolvida. O diretor, Gints Zilbalodis, tinha um orçamento de US$ 3,6 milhões (cerca de R$ 20 milhões), o que é pouco para longas de animação, por isso ele e sua equipe se valeram de muita criatividade para driblar o dinheiro curto. Com o auxílio do software gratuito Blender para animação em 3D, o resultado se mostrou memorável.
Tanto que a trajetória do gatinho se tornou uma das mais bem-sucedidas em premiações internacionais do cinema, culminando com o Globo de Ouro e o Oscar na categoria Melhor Animação, além da indicação a Melhor Filme Internacional no Oscar 2025. Na história do prêmio mais famoso do cinema, esta foi a primeira vez que a Letônia recebeu uma indicação.
“Flow” mostra que não é preciso orçamento astronômico para fazer bom cinema. Basta ter uma boa ideia e paixão para conseguir executá-la bem. Fica a torcida para que venham mais projetos interessantes de Zilbalodis num futuro não muito distante.

