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Homenagem a Cacá Diegues (1940-2025)

Por Tatiana Trindade

A nacionalidade pulsante de Cacá Diegues ainda vive

 

 

Quando se fala na história do audiovisual brasileiro e de seus realizadores, é impossível ignorar uma de suas mentes mais vibrantes. Nascido em Maceió e vindo ainda jovem para o Rio de Janeiro, Cacá Diegues respirava cinema e se tornaria um dos nomes mais importantes na construção de um olhar sobre o Brasil que vai além das praias e das celebrações.

 

Movido pela paixão por grandes personagens e boas histórias, havia em seu pensamento um olhar voltado para o futuro. Desde cedo, dedicou-se a consumir cinema de forma ativa, escrevendo e refletindo sobre o que assistia. Desse modo, ainda na faculdade, deu seus primeiros passos como diretor, ao lado de colegas como Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Miguel Borges e Marcos Farias. Considerada por diversos teóricos a primeira produção do Cinema Novo, “Cinco vezes favela” (1962) tornou-se um marco do cinema brasileiro, que, à época, se apoiava sobretudo em comédias, dramas e épicos à moda de Hollywood.

 

A partir daí, produções como “Ganga Zumba” (1963), “Xica da Silva” (1976), “Bye bye Brasil” (1980) e “Quilombo” (1984) evidenciaram seu interesse constante pela cultura do país e pela representação sem filtros de seu povo. Não são filmes feitos para agradar a todos. Antes, revelam uma visão crítica de um Brasil muitas vezes invisibilizado e ignorado, mas presente nas obras de um de seus mais atentos observadores.

 

Munido de uma bagagem construída entre a arte e a antropologia, Cacá transformou esses referenciais em narrativas marcantes. Para além do Cinema Novo, ele também esteve atento às transformações técnicas, sendo um dos primeiros cineastas brasileiros a utilizar novas tecnologias de montagem, em “Tieta do Agreste” (1996).

 

Celebrado em vida, inclusive no Carnaval, e eternizado na Academia Brasileira de Letras (ABL), seu legado permanece como expressão de um cinema que buscou não apenas contar histórias, mas também refletir criticamente sobre o país.

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