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Homenagens a Gene Hackman, Robert Redford, Diane Keaton e Brigitte Bardot

Por Zeca Seabra

Em 2025, o mundo se despediu de quatro grandes nomes que são a prova viva de que o cinema é memória, inspiração e legado

 

 

Gene Hackman (1930-2025). Considerado um dos melhores atores de sua geração, Gene Hackman iniciou no cinema em 1964 ao lado de Warren Beatty, que o convidou para um papel coadjuvante em “Bonnie & Clyde” (1967). Esse projeto mudaria a trajetória do cinema americano e renderia ao ator sua primeira indicação ao Oscar. Sua consagração viria em 1971, com o premiado “Operação França” (French connection), com o qual arrebanhou o Oscar de Melhor Ator, definindo sua persona para papéis ambíguos, moralmente desafiantes, mas profundamente humanos. Manteve um elevado ritmo de trabalho nos anos 70, 80 e 90, alternando papéis principais e coadjuvantes e obtendo nova indicação ao Oscar em 1988, com o pungente drama racista “Mississipi em chamas” (Mississipi burning). Receberia o segundo Oscar por “Os imperdoáveis” (Unforgiven), de 1993. Premiado, respeitado e admirado, Gene Hackman não fez apenas parte apenas da história do cinema. Foi um de seus pilares.

 

Gene Hackman: O espantalho (Scarecrow), de Jerry Schatzberg (EUA, 1973).

Com Gene Hackman, Al Pacino.

Drama. Sinopse: Em uma estrada da Califórnia, Max e Lion, dois desconhecidos, se encontram. Max saiu da prisão recentemente, após ter cumprido uma pena de sete anos por assalto, enquanto Lion é um marinheiro que passou seis anos no mar. O primeiro planeja ir para Pittsburgh, onde sonha abrir um lava-carros; o segundo deseja ver a mulher, que abandonou, e conhecer o filho de 5 anos. Os dois decidem atravessar o país em busca de uma vida melhor. Nessa jornada, o ex-presidiário aprende a controlar seu temperamento e o marinheiro se torna uma pessoa mais responsável. 112 minutos. 16 anos.

 

Robert Redford (1936-2025). Um dos grandes galãs de sua época, Robert Redford também se destacou atrás das câmeras, ganhando seu único Oscar como diretor por “Gente como a gente” (Ordinary people, 1980). Iniciou a carreira no teatro e na televisão, mas, em 1967, alcançou o estrelato com “Descalços no parque” (Barefoot in the park). Desde seus papéis icônicos, como em “Butch Cassidy and the Sundance Kid” (1969), “Golpe de mestre” (The sting, 1973) e “Todos os homens do presidente” (All the president’s men, 1976), Redford já demonstrava um profundo respeito pela arte de contar histórias, paixão que o impulsionou a criar o Festival Sundance, um dos maiores festivais de cinema independente dos Estados Unidos, que abriu portas para autores de um cinema livre e humano. Com uma carreira respeitada, Redford trouxe dignidade à profissão, cujo legado não se resume a seus filmes, incluindo a maneira digna como trabalhou pelo cinema.

 

Robert Redford: Butch Cassidy (Butch Cassidy and The Sundance Kid), de George Roy Hill (EUA, 1969). Com Robert Redford, Paul Newman, Katharine Ross.

Western. Sinopse: Dois amigos inseparáveis, Butch Cassidy e Sundance Kid, lideram o Bando do Buraco na Parede e vivem de assaltar trens e bancos. Quando são caçados por todo o país, resolvem ir para a Bolívia e, juntamente com Etta, a namorada de Sundance, rumam para a América do Sul. Mas essa mudança não lhes proporciona grandes assaltos nem tampouco tranquilidade. 110 minutos. 12 anos.

 

Diane Keaton (1946-2015). Símbolo da mulher moderna, divertida e independente, Diane Keaton, a eterna Annie Hall, foi um ícone de elegância e estilo, copiada por mulheres do mundo todo. Alçada ao estrelato em “O poderoso chefão” (The godfather, 1972), repetiu o papel de Kay Adams-Corleone nas outras duas sequências. O relacionamento amoroso/profissional com o diretor Woody Allen acabou lhe rendendo os melhores papéis de sua carreira, incluindo “Noivo neurótico, noiva nervosa” (Annie Hall, 1977), com o qual faturou seu único Oscar. Nos anos 80, a atriz tentou a direção com o documentário “Heaven” (1987), alguns vídeos musicais e um episódio para uma série de TV. Diane criou uma persona visual fora dos padrões que dispensava rótulos e era entendida como extensão de sua filosofia de vida. A morte de Diane Keaton, uma atriz brilhante, é um lembrete de que o valor de uma existência não se mede pela quantidade de aplausos, e que o verdadeiro talento sempre evolui.

 

Diane Keaton: Alguém tem que ceder (Something’s gotta give), de Nancy Meyers (EUA, 2003). Com Diane Keaton, Jack Nicholson, Keanu Reeves, Amanda Peet, Frances McDormand, Jon Favreau.

Comédia/Romance. Sinopse: Quando Harry Sanborn, um homem já envelhecido, e sua jovem namorada, Marin, chegam à casa de praia de sua família nos Hamptons, eles descobrem que a mãe dela, a dramaturga Erica Barry, também pretende ficar para o fim de semana. Erica se escandaliza com o relacionamento e o machismo de Harry. Quando Harry tem um ataque cardíaco e um médico prescreve repouso na casa de Barry, ele se apaixona por Erica. 133 minutos. 14 anos.

 

Brigitte Bardot (1934-2025). Musa do cinema francês, Brigitte Bardot foi um fenômeno cultural que mudou, de forma radical, a maneira como o mundo enxergava a figura feminina, mesmo sendo considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 50 e 60. Tornou-se mundialmente famosa em 1957 por seu trabalho em “E Deus criou a mulher” (Et Dieu... cré a la femme, 1957), filme dirigido por Roger Vadim, então seu marido. Em 1962, Bardot veio ao Brasil e se encantou com Búzios, onde ficou eternizada por uma estátua em bronze na orla que leva seu nome. Em 1963, protagoniza “O desprezo” (Le mépris, 1963), do icônico diretor francês Jean Luc-Godard. Em 1973, aos 39 anos, retira-se da vida artística, passando a dedicar-se à defesa dos animais. BB permanece eterna como símbolo de mulher livre e independente, lembrando que ter coragem para seguir o próprio caminho é, também, um dos maiores exemplos de beleza.

 

Brigitte Bardot: A verdade (La vérité), de Henri-Georges Clouzot (França/Itália, 1960). Com Brigitte  Bardot, Sami Frey, Charles Vanel, Paul Meurisse.

Drama. Sinopse: Dominique Marceau é julgada pela morte do amante, Gilbert Tellier. Durante o processo, todos as nuances da personalidade da ré vão surgindo, conforme o ponto de vista de cada testemunha. 124 minutos. 16 anos.

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