Homenagem a Sean Connery

Por Pablo Bazarello

O guerreiro imortal da Rainha

O que transforma um ator em astro? Renome internacional, fama e fortuna? Sem dúvida. Mas, acima disso, a capacidade de cativar audiências: o que faz uma parcela do público amá-lo (sem nem conhecê-lo) e outra parcela querer ser como ele (tê-lo como inspiração para o seu dia a dia). E todos esses critérios servem para qualificar Thomas Sean Connery, o grandalhão escocês que ficaria eternizado como a figura máxima do heroísmo elegante no cinema ao personificar o primeiro 007 – James Bond. Condecorado Cavaleiro pela rainha britânica em 2000, Connery nos deixou em 2020, aos 90 anos, mas, ao sair deste plano, foi direto para o panteão das lendas da sétima arte.

 

Nem sempre foi assim para o sujeito de origem humilde, filho de caminhoneiro e empregada doméstica, que fez de tudo um pouco, até mesmo ingressar na Marinha e ser fisiculturista. Quando chegou a hora de optar por uma carreira, Connery se viu dividido entre se tornar jogador de futebol ou ator. Nesse dia, os deuses do cinema estavam ao nosso favor.

 

Connery já atuava profissionalmente nos anos 50, mas foi quando os produtores da maior e mais duradoura franquia do cinema bateram os olhos nele em “A lenda dos anões mágicos” (1959) – obra da Disney na qual ele inclusive solta a voz – é que perceberam estar diante do tipo que procuravam para interpretar James Bond. Mas esse foi só o primeiro passo, e o diretor Terence Young (“O satânico Dr. No”, 1962) ficou incumbido de lapidar a fachada rústica do ator, moldando-o ao que o personagem exigia: suavidade. O resto é história.

 

Foram seis filmes oficiais como 007, mais um sem a produção da Eon. Ao se aposentar do papel de agente secreto, Connery podia fazer o que quisesse, estava no topo do mundo e escolhia seus projetos a dedo – muitas vezes optando pelas férias e por sua segunda paixão: jogar golfe (ou seria a primeira?).

 

No acervo do astro, campeões de bilheteria, sucessos de crítica e, principalmente, obras que seguem resistindo ao teste do tempo – incursões por clássicos culturais, como Robin Hood e Rei Arthur, por exemplo. Contudo, o que vem à mente em termos de popularidade são sempre “Indiana Jones e a última cruzada” (1989), “Highlander: O guerreiro imortal” (1986) e “O nome da rosa” (1986).

 

Em termos de prestígio, o prêmio máximo do cinema, o Oscar, foi dado ao ator por seu desempenho em “Os intocáveis” (1987), de Brian De Palma. O longa é igualmente um favorito dos fãs de sua filmografia.

 

A saída de cena definitiva de Sean Connery chega para nos lembrar de que, em breve, não teremos mais astros da “era de ouro” vivendo entre nós. Por outro lado, o que é o cinema senão uma máquina do tempo em constante looping e um portal para a posteridade?

007 contra Goldfinger (Goldfinger), de Guy Hamilton (UK, 1964). Com Sean Connery, Gert Fröbe, Honor Blackman.

 

Ação/Aventura/Suspense. Sinopse: Um criminoso magnata chamado Goldfinger tem como objetivo destruir uma reserva de ouro americana. Com a ajuda da bela Jill, secretária do vilão, o agente mais famoso do cinema se infiltra para descobrir detalhes do plano e interromper o ataque. 110 minutos. 12 anos.

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