Melhor Iniciativa Cinematográfica

de 2020

Por Alê Scholnik

Cavi Borges enaltece cultura na pandemia

Em 2020, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) selecionou como melhor iniciativa cinematográfica do ano as ações do diretor e produtor cultural Cavi Borges, que mostrou grande capacidade de resistência cultural. Num ano cheio de incertezas, em plena pandemia, Cavi criou uma campanha de arrecadação de alimentos para quem precisa, nestes tempos tão difíceis.

 

Em conversa por telefone, ele relata que, quando começou a pandemia, muita gente do cinema parou de trabalhar, inclusive o pessoal da área técnica, que ganha em cima do que trabalha por dia. Por conta disso, ele entrou em contato com grandes produtoras, como Mariza Leão e Iafa Britz, e lhes pediu que colaborassem comprando cestas básicas. “Inicialmente, era uma coisa pequena, para ajudar umas dez, 15 pessoas”, lembra Cavi. “Mas, aí, de repente, o movimento foi crescendo e se tornando uma corrente do bem. A gente conseguiu fazer três grandes doações de mil cestas.”

 

Ao longo de 2020, Cavi produziu um novo longa, em parceria com Bebeto Abrantes. “Na primeira semana da pandemia, eles já começaram a articular ‘Me cuidem-se’, ideia do Bebeto Abrantes”, conta o produtor cultural. “Para esse projeto a gente pensou em como continuar filmando sem se encontrar, pensou em personagens que se autofilmavam. A gente teve que se readaptar a novos tipos de produção. No momento, existe uma dificuldade de tempo maior, o que dobrou o tempo de produção na edição, por exemplo.”

 

Sobre estrear filme em tempos de pandemia, ele avalia que o grupo está conseguindo seguir caminhos alternativos para distribuir e exibir. “O lançamento tem sido on-line, o que dá um acesso a muito mais pessoas pelo mundo todo.”

 

Quanto ao Espaço Cultural Cavideo, ele diz que se tratou de uma tentativa para não fechar a tradicional locadora Cavideo, na Cobal do Humaitá. Foi uma parceria com a Riofilme, que cedeu um espaço para a sala de Cavi, que, em troca, se comprometeu a criar o centro cultural. “Hoje em dia a gente tem mais de 10 mil DVDs”, comemora. “Já a abertura da Biblioteca de Cinema Marialva Monteiro [criada em 2021 como homenagem à educadora e fundadora do Cineduc, entidade que se dedica, há mais de 50 anos, a usar o cinema como ferramenta de educação para crianças e jovens] contou com cerca de 3 mil livros e catálogos. O acervo foi montado por meio de doações que vieram por contato no Facebook.”

 

Sobre o impacto da cultura em tempos de pandemia, Cavi conclui: “Nessa pandemia, o que está salvando a gente é a cultura. É fundamental que ela continue a se desenvolver e eu tenho muito orgulho de participar disso um pouco.”

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