Os melhores filmes de 2016

Por Mario Abbade

Em vez de 10, por que não 12?

 

Chega o fim de um ano e automaticamente começam as listas do que mais vai deixar lembranças. E, segundo estatísticas do Facebook, o tópico que concentra o maior número de listas é a dos melhores filmes do ano. Uma das mais esperadas é a da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), que sempre brinda o público com aquilo que aconteceu de mais relevante. Às vezes a disputa é tão acirrada que não se consegue chegar a uma dezena certinha sem risco de ser injusto com alguma produção. E aí fica a pergunta: por que não mais? Foi justamente isso que aconteceu: a ACCRJ elegeu os 12 melhores longas de 2016.

 

O título de melhor filme do ano ficou com “Elle”, a obra do sempre polêmico cineasta holandês Paul Verhoeven. Já o melhor longa brasileiro ficou com o diretor Kleber Mendonça Filho, que está presente na grande maioria de listas das associações e publicações ao redor do planeta. Junto dele, os veteranos Woody Allen (“Café society”), Quentin Tarantino (“Os oito odiados”), Jafar Panahi (“Taxi Teerã”), Charlie Kaufman (“Anomalisa”), Todd Haynes (“Carol”), Jia Zhang-ke (“As montanhas se separam”), Hong Sang-soo (“Certo agora, errado depois”) e Béla Tarr (“O cavalo de Turim”). As escolhas da ACCRJ também prestigiaram os iniciantes Robert Eggers (“A bruxa”) e László Nemes (“O filho de Saul”), que em seus filmes de estreia já conseguiram arrebatar a crítica e o público.

 

A Mostra Melhores Filmes do Ano concedeu ainda o prêmio de iniciativa cinematográfica para o produtor e diretor Cavi Borges, pelos 20 anos da Cavídeo, que vem fazendo cinema na raça e lançando novos profissionais no mercado, além de trazer de volta mestres que há muito tempo não filmavam. Tudo isso sem patrocínios.

 

Os homenageados desta edição do evento são os cineastas Abbas Kiarostami e Hector Babenco, que vão deixar saudade. A mostra exibe “Cópia fiel” do Kiarostami e “Meu amigo hindu” de Babenco. Ainda no campo das homenagens, a ACCRJ publica neste catálogo o texto do cineasta, curador e crítico José Carlos Avellar sobre o filme “As montanhas se separam”. Num dos almoços que tive o grande prazer de ter com ele em Cannes, Avellar apontava o longa de Jia Zhang-ke, como o melhor do festival de 2015. O mestre Avellar nos deixou no dia 18 de março de 2016, e essa lacuna nunca será preenchida. Além de membro fundador da ACCRJ, Avellar foi eleito por diversos veículos internacionais como o melhor crítico de cinema da América do Sul e entre os melhores do mundo.

 

A mostra Melhores Filmes do Ano tem opções para diferentes gostos, e todos os filmes e homenagens terão debates reunindo os críticos da ACCRJ e convidados de diferentes áreas de atuação. É uma ótima oportunidade para o público colocar suas ideias, conferindo se concorda ou não com os críticos. Nos vemos lá.

Mario Abbade

Organizador da Mostra e Secretário-Geral da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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