Os melhores filmes de 2020

Por Mario Abbade

Além de todas as tragédias que trouxe, a pandemia dificultou muito a eleição dos melhores filmes de 2020. Com os cinemas praticamente fechados no ano passado, o jeito foi permitir, pela primeira vez, a participação de longas exibidos por streaming. A data da reunião em que acontece a eleição também foi alterada para o dia 3 de abril, atrasando a divulgação da lista por três meses.

 

Apesar de todas essas mudanças, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) se reuniu para deliberar e votar democraticamente os melhores filmes do ano, as homenagens e os destaques. E algumas características não mudaram: foram necessários quatro turnos, nos quais cada participante votou em seus preferidos para que se chegasse a um veredicto. O francês “Retrato de uma jovem em chamas” (“Portrait de la jeune fille en feu”), de Céline Sciamma (França, 2019), foi eleito o melhor filme do ano.

 

Os outros nove títulos, em ordem alfabética, são: “1917”, de Sam Mendes (EUA/Reino Unido, 2019); “Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou”, de Bárbara Paz (Brasil, 2020); “Destacamento Blood” (“DA 5 Bloods”), de Spike Lee (EUA, 2020); “Joias brutas” (“Uncut gems”), de Benny Safdie e Josh Safdie (EUA, 2019); “O farol” (“The lighthouse”), de Robert Eggers (Canadá/EUA, 2019); “O Homem Invisível” (“The Invisible Man”), de Leigh Whannell (Austrália/EUA, 2019); “O som do silêncio” (“Sound of metal”), de Darius Marder (EUA, 2019); “Pacarrete”, de Allan Deberton (Brasil, 2020); “Soul”, de Pete Docter e Kemp Powers (EUA, 2020).

 

Outros filmes que chegaram ao segundo turno e não conseguiram entrar por um voto foram: “Adoráveis mulheres” (“Little women”), de Greta Gerwig (EUA, 2018); “AmarElo: É tudo pra ontem”, de Fred Ouro Preto (Brasil, 2020); “Dois irmãos – Uma jornada fantástica” (“Onward”), de Dan Scanlon (EUA, 2020); “Jojo Rabbit”, de Taika Waititi (Alemanha/EUA, 2019); “Mank”, de David Fincher (EUA, 2020); “O caso Richard Jewell” (“Richard Jewell”), de Clint Eastwood (EUA, 2019); “O oficial e o espião” (“J’accuse”), de Roman Polanski (França/Itália, 2019); “Os 7 de Chicago” (“The trial of the Chicago 7”), de Aaron Sorkin (EUA, 2020); “Os miseráveis” (“Les miserables”), de Ladj Ly (França, 2019).

 

Os homenageados postumamente são: o diretor José Mojica Marins (o popular Zé do Caixão), o compositor Ennio Morricone e os atores Flávio Migliaccio, Kirk Douglas e Sean Connery.

 

O título de “Melhor iniciativa cinematográfica de 2020” foi concedido ao produtor cultural e diretor  Cavi Borges, que mostrou uma capacidade de resistência cultural admirável com a abertura de novos espaços (o Espaço Cultural Cavideo e a Biblioteca de Cinema Marialva Monteiro, ambos nas Casas Casadas, em Laranjeiras) e campanhas de arrecadação de alimentos nestes tempos tão difíceis.

 

Apesar de todas as dificuldades, a ACCRJ confirma o seu compromisso com o público e vai debater os Melhores Filmes do Ano, além de fazer uma retrospectiva de seus eventos mais importantes da última década, seguindo todos os protocolos de prevenção à covid-19, na sala de cinema da Universidade Estácio de Sá, no campus João Uchoa, no Rio Comprido. Que 2021 seja cinematográfico, com filmes interessantes. E um ótimo ano para todos os cinéfilos.

Mario Abbade

Organizador da Mostra e Tesoureiro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ)

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