
O Agente Secreto
Por Ana Carolina Garcia
Cinema brasileiro em alta
No ano passado, Walter Salles mostrou ao mundo que o cinema brasileiro está fortalecido e com capacidade de brigar de forma igualitária com grandes produções internacionais, inclusive na temporada de prêmios americana, que culmina com o Oscar, conquistado por “Ainda estou aqui” na categoria de Melhor Filme Internacional, o primeiro concedido ao Brasil. Agora, o diretor Kleber Mendonça Filho trilha pelo mesmo caminho, já com a bênção do Festival de Cannes, que colocou “O agente secreto” sob os holofotes com os prêmios de Melhor Direção, e Melhor Ator, para Wagner Moura, além do Fipresci Prize e do AFCAE Award.
O burburinho que invadiu a Croisette facilitou o lançamento nos Estados Unidos, onde “O agente secreto” se tornou o quinto longa brasileiro a ultrapassar a marca de US$ 1 milhão em bilheterias. A façanha se deveu também ao fato de a produção contar com Moura como protagonista, já que ele é um dos atores brasileiros mais respeitados no exterior. Ganhou fama internacional com a franquia “Tropa de elite”, que lhe abriu as portas em Hollywood para atuar em filmes como “Elysium” e “Guerra civil” e na série “Narcos”, da Netflix.
Em “O agente secreto”, Moura vive o professor Marcelo, que volta a Recife para reencontrar o filho e resgatar a história de sua família. Ele tenta fugir para o exílio e salvar a própria vida, ameaçada pela ira de um empresário. Equilibrando força e sensibilidade com mestria, Moura brilha a cada cena e ofusca a todos ao redor, tornando-se o principal alicerce do longa, ambientado nos anos 70. Trata-se de uma interpretação digna de cada prêmio recebido, o que pode alçá-lo à posição de Fernanda Torres no Oscar 2025, mas com o diferencial de ser mais conhecido em Hollywood do que a atriz, o que ajuda o deslanchar da campanha pela estatueta mais cobiçada do cinema mundial.
Contando ainda com outros atores de fama internacional no elenco, caso de Maria Fernanda Cândido e Gabriel Leone, “O agente secreto” tem como um de seus maiores méritos manter o cinema brasileiro em alta dentro e fora do país, provando que o Brasil, outrora subestimado, tem muita história para contar nas salas de exibição.

