O cenário cinematográfico de 2019

Por Lucas Salgado

2019, um ano de incertezas

Como fazemos anualmente, chegou a hora da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) fazer uma retrospectiva da cena cinematográfica no Brasil e no Rio de Janeiro no ano que passou. 2019 representou uma maior consolidação dos serviços de streaming, mas também foi marcado por uma difícil viabilização de festivais de cinema pelo Brasil e por uma instabilidade no cenário político na área cultural.

 

Já em janeiro, a classe cultural recebeu a confirmação da extinção do Ministério da Cultura, que passou a ser uma Secretaria Especial de Cultura sob os cuidados do Ministério da Cidadania. Meses depois, a SEC foi transferida e passou para a responsabilidade do Ministério do Turismo. A instabilidade política na área da cultura também afetou a Secretaria do Audiovisual, a Ancine e o Fundo do Audiovisual.

 

A constante interferência nas políticas culturais gerou instabilidade na indústria em um momento importante do cinema brasileiro, que obteve grande reconhecimento internacional. Em 2019, filmes brasileiros receberam importantes prêmios nos festivais de Cannes (“A vida invisível” e “Bacurau”), Veneza (“Babenco - Alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou”), San Sebastián (“Pacificado”), dentre outros.

 

No cenário interno, envolvendo festivais de cinema, o ano trouxe algumas dificuldades, que devem aumentar daqui pra frente. Foram vários o eventos que tiveram suas edições adiadas para buscar novas formas de financiamento, como o CinePE, o Cine Ceará, o Festival de Brasília e o Festival do Rio. O último, inclusive, aconteceu apenas em dezembro, após processo de financiamento coletivo.

 

É importante destacar que o Rio segue com importantes espaços culturais com programações variadas de mostras e retrospectivas. Em 2019, o Centro Cultural do Banco do Brasil abrigou a Mostra do Filme Livre, Mostra de Cinema Árabe Feminino, o Cinefoot, uma mostra e exposição da Dreamworks Animation, e as retrospectivas Martin Scorsese, Robert De Niro, Stephen King, dentre outras. O CCBB-RJ ainda foi palco da tradicional mostra Melhores do Ano da ACCRJ.

 

A Caixa Cultural também abriu suas portas para importantes retrospectivas ao longo do ano que passou, com destaque para “Hong Sang-Soo - A repetição da vida”, “Franco Zeffirelli - Amor, tragédia e religião no cinema” e “Domingos”, em homenagem ao eterno Domingos Oliveira, falecido em 2019. Já a Cinemateca do MAM, no Museu de Arte Moderna (MAM-RJ), foi palco de festivais e mostras, sendo o local de maior destaque cinematográfico do ano, onde a ACCRJ realizou a mostra “Warren Beatty – Uma rajada de charme”, sobre o ator e diretor americano, e também as temáticas “Alusões homoeróticas do cinema clássico”, “Nos embalos de uma parceria – Stigwood, Olivia e Travolta” e “O jazz vai para Hollywood”.

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