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Cinema brasileiro para além das fronteiras

Por Lucas Salgado

Nos primeiros dias de janeiro de 2025, o brasileiro viu Fernanda Torres subindo ao palco do Beverly Hilton Hotel para receber, das mãos de Viola Davis, o prêmio de Melhor Atriz em Filme Dramático por “Ainda estou aqui”. No mês seguinte, em fevereiro, foi a vez de Gabriel Mascaro brilhar, ao levar o Urso de Prata do Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim por “O último azul”. Em março, o país conquistou o primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional, mais uma vez por “Ainda estou aqui”, de Walter Salles.

 

E o clima de festa não passou… Se em 2024 o cinema brasileiro se reencontrou com as bilheterias, a partir do sucesso de obras como “O auto da Compadecida 2”, “Minha irmã e eu” e “Os farofeiros 2”, além de “Ainda estou aqui”, em 2025 foi a vez de o audiovisual nacional ultrapassar fronteiras com um reconhecimento internacional que não se via há tempos.

 

Eleito Melhor Filme do Ano pela Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, veio para ratificar este momento além-fronteiras do cinema nacional. O longa deixou o Festival de Cannes, em maio, com os prêmios de Melhor Direção, Melhor Ator (Wagner Moura) e o de Melhor Filme para a Federação Internacional de Críticos de Cinema (Fipresci). Na sequência, foi escolhido para representar o cinema brasileiro na corrida pelo Oscar 2026 e se tornou reconhecido em festivais e premiações ao redor do mundo.

 

Mesmo com o sucesso de crítica de “Manas”, “Oeste outra vez”, “Baby” e “Kasa Branca”, apenas duas produções brasileiras lançadas em 2025 levaram mais de 1 milhão de pessoas às salas: “Chico Bento e a goiabeira maraviósa” e “O agente secreto”. Os números refletem um ano de queda na bilheteria global. Em 2025, 110 milhões de espectadores foram aos cinemas no Brasil, número significativamente inferior ao número de ingressos vendidos em 2024 (126 milhões), segundo dados da Ancine.

 

O desempenho comercial dos cinemas poderia ter sido ainda mais trágico, não fosse um segmento específico: o cinema infantojuvenil. Os três maiores hits nas salas do país em 2025 tiveram como público-alvo crianças e adolescentes: “Lilo & Stitch”, com público de 10,4 milhões de pessoas no Brasil; “Como treinar o seu dragão”, que vendeu 5,9 milhões de ingressos; e “Um filme Minecraft”, com 5,4 milhões de espectadores.

 

O cenário internacional foi semelhante. A animação chinesa “Ne Zha 2” foi a recordista de bilheteria no mundo, com US$ 1,9 bilhão de faturamento, enquanto “Zootopia 2” e “Lilo & Stitch” foram as únicas produções de Hollywood a superar a marca do bilhão. “Avatar: fogo & cinzas”, terceiro episódio da saga de James Cameron, também deve ultrapassar a marca, mas apenas em 2026.

 

Além do cinema para os baixinhos, é importante reconhecer o bom desempenho dos filmes de terror, em especial produções como “Pecadores” e “A hora do mal”, que não apenas agradaram ao público como receberam críticas elogiosas e despertaram burburinho de premiações. Não por acaso, os dois longas estão na lista de Melhores Filmes de 2025 da ACCRJ.

 

Enquanto os filmes da Marvel — “Quarteto Fantástico: primeiros passos”, “Capitão América: admirável mundo novo” e “Thunderbolts” — passaram quase despercebidos, a DC voltou a mostrar sua força com “Superman”, de James Gunn. O diretor marcou presença na pré-estreia realizada no Rio de Janeiro, ao lado dos atores David Corenswet e Rachel Brosnahan.

 

Ao longo do ano, a capital fluminense recebeu a visita também de outras estrelas: Juliette Binoche apresentou sua estreia na direção no Festival do Rio; Isabelle Huppert lançou o longa “A mulher mais rica do mundo” no Festival de Cinema Francês do Brasil; Thierry Frémaux, diretor do Festival de Cannes, visitou a cidade para promover “Lumière! A aventura continua”; Audrey Diwan e Tom Tykwer integraram a comissão de convidados do Festival de Cinema Europeu Imovision.

 

Ao longo do ano, outros festivais se destacaram pelas salas da cidade, caso do É Tudo Verdade, o Lumen Film Festival, o Festival Curta Cinema, o Femina – Festival Internacional de Cinema Feminino, o Rio Fantastik Festival, entre outros. Espaços como a Caixa Cultural, o CCBB, o MAM e o Estação Net Rio e Botafogo se destacaram com programação diferenciada. Outra novidade foi a chegada do grupo Belas Artes ao Rio, com a parceria na curadoria do Cinesystem Botafogo.

 

Agora, os olhos se voltam para 2026. Mas não sem antes celebrarmos os destaques do ano que passou na Mostra dos Melhores Filmes do Ano da ACCRJ.

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