CLAMOR DO SEXO - Nada pode trazer de volta a hora de esplendor da relva


Warren Beatty e Natalie Wood

Elia Kazan foi um dos diretores que mais souberam tirar de seus pupilos do Actors Studio performances arrebatadoras, além de ser o responsável por lançar os filmes que definiram profissionais como Marlon Brando (“Uma rua chamado pecado”, 1951), James Dean (“Vidas amargas”, 1955) e Warren Beatty (“Clamor do sexo”, 1961).


No caso de Beatty, “Clamor do sexo” marca a estreia do ator no cinema (antes, só havia participado de seriados na TV). E ele já demonstra nesse trabalho características que iam pontuar sua carreira, como atuar em papéis que procuram questionar os Estados Unidos e suas idiossincrasias. O filme, que parte da história de amor de Deanie (Natalie Wood) por Bud (Warren Beatty), da família mais poderosa da cidade, apresenta um mosaico intrigante que analisa a repressão sexual, o capitalismo desenfreado e as regras de uma sociedade hipócrita, entre outros subtemas.


Kazan segue, com extremo talento, o mantra de entreter com conteúdo, sem deixar que os assuntos espinhosos atrapalhem a narrativa. Partindo dessa premissa, a mise-en-scène rica de ideias faz alusões como a da cachoeira que ganha conotações sexuais, ao mesmo tempo em que o som de uma bomba de perfuração de petróleo serve como repressão desse impulso. A cor dos figurinos e os decotes reforçam o contraste.


O filme ataca uma sociedade patriarcal, preconceituosa, em que, se a mulher resolve questionar dogmas sociais ou sexuais, recebe um destino trágico. Por sinal, vários personagens adultos são retratados negativamente, ilustrando uma cultura de repressão. Ao final, o amor e o desejo sexual de Bud e Deannie são vítimas de uma sociedade conservadora, mas fica um raio de esperança quando ela recita o belo poema de William Wordsworth.


Mostra Warren Beatty – Uma Rajada de Charme

De 25 a 31 de março na Cinemateca do MAM

25/3 – segunda-feira - 18h Abertura da Mostra com Hernani Heffner e Ana Rodrigues Clamor do sexo (Splendor in the grass), de Elia Kazan (EUA, 1961). Com Natalie Wood, Warren Beatty, Pat Hingle.

Drama/Romance. Sinopse: O namoro de Bud e Deanie é ameaçado pelas opressivas expectativas de seus pais. Quando são advertidos a não se envolver sexualmente porque isso arruinaria o futuro dos dois, Bud acaba se envolvendo com outra garota e Deanie é internada num hospício. Duas indicações ao Oscar: uma de melhor atriz para Natalie Wood, venceu como melhor roteiro original. 124 min. 14 min.



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