A disputa do Oscar que passou despercebida


Olhando para trás, a impressão que se tem é que o Oscar de 1973 foi uma disputa entre “O poderoso chefão” e “Cabaret”, dois filmaços que receberam, cada um, dez indicações. E, de certa forma, isso aconteceu, já que eles duelaram pelo prêmio de melhor filme, e seus diretores, Francis Ford Coppola e Bob Fosse, pela estatueta de melhor direção. Acontece que essa disputa limitada aos dois impede os mais jovens de perceberem que havia outra grande película na competição: “O ocaso de uma estrela” (“Lady sings the blues”).


Indicado em cinco categorias, o filme dirigido por Sidney J. Furie conta a história da cantora de jazz Billie Holiday, interpretada em um verdadeiro tour de force pela também estrela da música Diana Ross. A trama começa com a prisão de Holiday, em 1945, devido ao seu envolvimento com drogas, e depois retrocede para mostrar a juventude da diva. Entre outras dificuldades que teve que enfrentar, ela foi estuprada e obrigada, por uma amiga religiosa de sua mãe, a se prostituir. A partir daí, é possível concluir que seus problemas com o vício no futuro têm ligação com os traumas do passado.


Como toda adaptação, esta obra da Motown dá uma bela romanceada nos fatos. A carreira da diva durou 26 anos (1933 a 1959). No entanto, na transposição da história para as telonas, parece bem mais meteórica. Já o personagem de Billy Dee Williams, apesar de ter o nome (Louis McKay) do último marido de Holiday, é um amálgama dos três homens com quem ela se casou. Por sinal, a química entre os atores é a melhor coisa do filme. Diante da sombra da competição principal daquele ano, é factível supor que a verdadeira disputa de 1973 tenha sido pelo Oscar de atriz. Venceu Liza Minnelli (“Cabaret”), mas ninguém emocionou mais do que Diana Ross.

(Texto publicado na revista da mostra "O Jazz vai para Hollywood" parceria ACCRJ/Cinemateca do MAM - Setembro de 2019)


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