Uma joia do Rio


O Rio de Janeiro, de tantas glórias culturais, está maltratado, abandonado. Hoje, mais uma luz se apagou. O Cine Joia, em Copacabana, anunciou nesta sexta-feira, o fim das atividades. A sala das poltronas coloridas, revitalizada em 2011, fecha as portas depois de 54 mostras e festivais, sessões de música e poesia, performances variadas.

O estabelecimento contava com o contrato assinado com a RioFilme, mas desde abril deixou de receber repasses mensais da gestão municipal, que poderiam garantir a resistência até as salas poderem reabrir na flexibilização da pandemia. No entanto, o contrato foi revogado unilateralmente.

Esse contrato previa uma contrapartida de sessões educativas, para alunos da rede municipal e jovens e idosos que vivem em abrigos, mas infelizmente, esse acesso cultural foi negado.

O Joia é a extensão da casa de muita gente. É um local de encontros comunitários. Moradores de Copacabana, amantes do cinema e visitantes de outros bairros do Rio vivem a integração de uma sala artesanal que acolhe e forma plateias. Além de movimentar o bairro, criando circulação que favorece o comércio local.


Quer cinema internacional que não tem chance no circuitão? O Joia exibe. Quer filme brasileiro que saiu de cartaz nas grandes salas? Tá em cartaz no Cine Joia. Além disso, grandes personalidades do cinema como Renato Aragão e Ruth de Souza ganharam sessões de homenagens com a presença das personalidades que passaram a dar nome à poltronas do Joia.

A Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro - ACCRJ aplaude e presta solidariedade ao sócio-fundador Raphael Geyer Aguinaga que manteve as portas abertas numa capacidade de resistência rara.

No apagar das luzes da má gestão municipal, há de voltar a brilhar, em breve, a tela do Cine Joia.


Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro - ACCRJ



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