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Uma batalha após a outra

Por Mario Abbade

Mais uma obra-prima de PTA

“Há filmes que são puro entretenimento e outros nos quais o que mais importa é a mensagem, de forma que cada tipo de público pode escolher o que busca. Mas o cinema chega à sua perfeição quando ambas as vertentes caminham lado a lado no mesmo filme, com uma estimulando a outra”, disse, numa de suas palestras, o renomado crítico de cinema Andrew Sarris, que popularizou a expressão “cinema de autor” nos Estados Unidos. E é exatamente essa perfeição que o cineasta autoral Paul Thomas Anderson alcança em “Uma batalha após a outra”. PTA, como é chamado pelos colegas, apresenta nessa produção uma combinação distópica de ação, drama, comédia e western para ilustrar a atual política interna americana. E de tal modo que o espectador é seduzido pela relação conturbada entre pais e filha. Com sua escolha, PTA consegue agradar a qualquer tipo de espectador, independentemente do que este procura, entregando um longa divertido, reflexivo e cheio de qualidades.

 

O roteiro escrito pelo diretor envolve um grupo de guerrilheiros, um contraditório coronel linha-dura (Sean Penn, em atuação chapliniana), um revolucionário fracassado usuário de drogas (Leonardo DiCaprio, em interpretação brilhante) e sua filha espirituosa (Chase Infiniti). Essa mistura pouco provável é alicerçada pela costumeira linguagem de câmera em constante movimento, com tomadas longas com steadycam, uso memorável de música e imagens com multicamadas de significado de PTA. E, dessa vez, com uma dramaturgia que se inspira nos diálogos engraçados e excêntricos de Quentin Tarantino com personagens que parecem ter saído do universo dos Irmãos Coen. A cena final de perseguição deixaria o ator Steve McQueen orgulhoso. “Uma batalha após a outra” é uma obra-prima que também presta homenagem ao clássico “Dr. Fantástico” (1964), de Stanley Kubrick.

 

*Crítica publicada no jornal O Globo em 25/09/2025.

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